Coisas do meu género

venho do ventre
ó minha mãe
olho de frente
semente do mundo
nasci cresci criança e falo
amiúde me vi à janela do tempo
ora errante ora maré cheia
e caminho firme de sentido fundo

à frente a flor traz o pólen
a pétala o estame da dor da vida
outras gerações dos géneros que sou
o mistério e a fonte da atração do beijo
quantas vezes me abraço outras tantas me dou

o silêncio é de ouro e de prata a palavra
no azul das estrelas e nas cores dos ventos
o verso me espelha a luz me aflora
é a alma que me lavra
o espírito dos tempos

neste género sem jeito de conversa nua
sobre coisas simples sem género algum
desde o princípio sem nenhum fim

o meu género se acaba e dá cabo de mim

2016-04-30

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