A rotina do amor

são passeios repetidos por onde passo
e a indiferença dos néons
ainda cintila por meus vãos
rotina de sempre
teus gestos lentos
meu arranha céus amor
de meu destino

há quanto tempo meu amor
estás sempre em campo
e carregas meus hábitos de não ter luas
nos escombros sombrios
de dias duros

há quantas ousadias atrás
deixaste as estrelas a sós
e enveredaste no rasto
de um abraço
teu traço das minhas rotas
sempre iguais

meu amor permanece
na dúvida das horas normais
no hábito que padece
segue
sequer espera
pelas auroras boreais

2018-01-29

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De boca em boca

se abres a boca antes de abrir a mente
somente
tu não sabes
que silêncios há por abrir

vês
choram as flores que se abrem ao orvalho
mas não quando jazem
em teus olhos tardios
por florir

que a palavra não te saia
como aos ouvidos entrou
em todo o céu há línguas
de lábios por traduzir

sabes
a razão é da tua espécie
tua natureza de ser chão
e palavra por se descobrir

2018-01-29

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Incompleta

a vida é sempre por defeito
quão mais se vive mais se incompleta

2018-01-29

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Dias nas pedras

hoje é um dia que nasce
igual
hoje é um dia que morre
um mais que desconto à vida
que a vida morre-se vivendo
e vivo
pelejo contra minha fome
de palavra que sobreviva

hoje é meu dia de sorte
da sorte que tem a morte
viver mais um dia comigo
e sei que todo o seu tempo
não mais é que meu tempo
em cada dia que vivo

e este dia passará
e novo dia será
e este dia será noite
e outra noite seria
amanhã
se eu fizesse
de outro um novo dia

só estas pedras são as pedras
onde me deito já não pedras
mas descanso dos sentidos
lápides já nem memórias
porque das memórias eu vivo

2017-12-31

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Incertezas

que há de ser entre as estrelas?
que cadência te sobrevive?
que palavra unges quando escreves?

nasces vento morres paz
tens intempéries no destino
encomendas da vida e da morte
sobre teu dorso de intentos
quem te vê sob sua nesga
não mais que inflexão de espelhos
escondendo o breu da sorte
sob o umbigo dos tempos

prisioneiro de um corpo incrédulo
em alma indecisa (aflita)
auto estimando incertezas
a cada pavio

que há de ser entre as estrelas?
que cadência te sobrevive?

2017-12-31

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Atrevimento

a trevo m’à sorte

2017-12-31

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Memória de um fim anunciado

quando te vais
quando me vou
não chegam as palavras

perderam-se
e a espera é vazia
sem sombra do sentido
que por elas
e por nós havia

o tempo vagueia
tonto
como se nunca houvera
nos conhecido

só a memória se afoita
já sem tempo
para o resgate


como a palavra que ainda resta
e por que resiste
quando te vais
quando me vou
amor

2017-11-30

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Platonismo

arranco à memória
em cada noite escura
os sinais que me levam
teus olhos verdes

meu coração levita
não é meu domínio
de tudo se lembra
de nada padece
eu dele sim
me vou em descuido
vivo meu pensamento
a vida me esquece

não nasci por arte
nem sei se o desejo
ou se é destino
que aqui e agora
apenas almejo
nem toquei os sonhos
nas pontas dos dedos
perdi o pé
mas caminho

2017-11-30

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Com vencimento

estou convencido
para uma opinião vencedora
toda a verdade é suspeita

2017-11-30

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Pedra sobre pedra

medram esquecimentos
no sítio onde nasci
medram os silêncios
mas não eu aqui

a palavra esgotada
num último suspiro
escolhe esconder-se
em ignoto retiro

diz-me tempo porque vais
aonde não sei
nem me ouço
na invenção
de outros mundos

diz-me tempo que ilusão
ainda não criei
nem desfiz
de mais tempos
ou mais profundos

que é efémera a memória
de tempos ancestrais
e a vida não envelhece
mas sim seus sinais

a morte vai e volta
cega
pedra sobre pedra
cai
sobre as crenças dos vivos

2017-10-30

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