Memórias

sabes de que me fazes
sou feito deste terreno
onde as memórias não se apagam
o passado não tem remendo
é tudo deste presente
que mais futuros se alinhavam

tudo muda enquanto dura
há-de haver aventura
há-de ser ferida e a cura
de sua fonte insegura

não amedrontes meus medos
levados sob o pó das manhãs
sem princípio ou fim
meus temores são de somenos
espaventos de não morrerem
que apenas vivem de mim

2016-11-30

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Meus dedos

meus dedos têm leveduras
de engravidar cimentos
das esperanças mais duras

meus dedos têm espantos
no corpo dos teus segredos
leve mente tateando
acima de quaisquer medos

fugazes momentos
perenes
incontida intensão
novo mundo se revela
na cabeça de meus dedos
não há razão que sustenha
um toque de coração

2016-11-30

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A sorte da morte

se eu tivesse tempo
de esquecer a morte
abandoná-la-ia à sua sorte
não lhe daria vida

2016-11-30

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Estrelas

teus olhos estrelecem meu peito
quando sorriem

2016-11-30

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Sorrindo

pelo teu sorriso, o meu mundo
o meu mundo pelo teu sorriso

2016-11-29

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Dia do dia

hoje é dia meu e dia teu
dele e dela deste e daquela
dia qualquer de outro alguém
dia de muitos no mesmo dia
ontem foi dia e outro dia
amanhã decerto será também

dia que nasce dia que morre
dia de vida e de criação
dia da criança dia da cor
dia livre da perdição
dia da mãe dia do pai
dia do filho e do espírito santo
dia da graça do sorriso
dia do espaço e do espanto
dia de festa dia de anos
dia dos avós dia dos netos
dia de espera de dias melhores
dia de namoros e de afetos
dia do abraço dia fora
dia da mulher dia da escola
dia do trabalho e des-maio
dia do salário dia de esmola
dia feriado e descanso
dia de folga dia de aperto
dia de enganos e de lutas
dia das contas em dia certo
dia do mar e da marinha
dia de praia e da cidade
dia de feira dia das compras
dia de ronda de caridade
dia da árvore dia da horta
dia do vinho e da água ardente
dia dos frutos e dos legumes
dia de colheita e da semente

dia sempre em dia certo
dia de mais no dia que temos
dia de menos que o dia nos traz
dia de nunca o sabermos

dia da paz dia da memória
dia da arte deste fado
qualquer é dia hoje em dia
que seja então inacabado
este poema
e um feliz dia

2016-11-23

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Labirinto

passo resoluto este desfiladeiro
labirinto de impasses e noites afiadas
procuro as saídas em qualquer entrada
sem mais demoras sob o pavio das horas
com passos à toa em pauta desregrada

sou a causa de tudo isto por acaso sou
causa de minhas causas que por mim se batem
com batidas de frente noutras causas perdidas
bate-me o coração no refúgio dos dias
por todas as causas ainda combalidas

que outras causas por acaso passo
que outros casos passo por minha causa
que não sejam causa de todo o meu caso
que sejam passos de causa que me passa
e que outros passos causam nem por acaso

passo sereno este desfiladeiro
labirinto de causas sob nuvens apressadas

2016-10-31

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Nunca se diz

nunca
a palavra de mais séculos
se revira à volta de uma trama
nunca palavra de um só amo
nunca tirano sempre nunca

nunca
a palavra muitos anos
resiste ao primeiro solavanco
nunca palavra dita um fim
nunca a palavra se diz nunca

nunca
a palavra destes dias
esconde a sorte enquanto muda
nunca palavra se desdita
nunca escrita na mão nunca

nunca
a palavra num segundo
se retira palavra nunca dada
nunca palavra se silencia
nunca se adia palavra nunca

nunca
a palavra de uma vida
se redime na morte ou na espera
nunca é palavra que adoece
nunca palavra se cura nunca

nunca
palavra dura demais
nunca é mordaça que sempre dure

2016-10-31

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História com data não anunciada

nasceu aos gritos sem saber da liberdade
em jeito de promessa que todo o ventre faz
de sopetão cresceu sem as flores da idade
arribou a destinos que todo o tempo traz

nunca lhe ouvi das penas qualquer queixume
todas as perfídias se queimavam no seu sangue
nenhum resquício de fogueira sem lume
em manhãs acesas sobre uma luz exangue

chorava de alegria em tempos de mágoas
sem tempo para chorar promessas ardidas
sorria de acenos na margem das águas
às horas amigas do seu tempo perdidas

como sem sorte impeliu a vida
só como vida enfrentou a morte

2016-10-30

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À janela do meu tempo

na rua onde passam
as ideias na lapela
antes da pessoa que passa
vês o casaco dela

2016-10-30

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