Pedra sobre pedra

medram esquecimentos
no sítio onde nasci
medram os silêncios
mas não eu aqui

a palavra esgotada
num último suspiro
escolhe esconder-se
em ignoto retiro

diz-me tempo porque vais
aonde não sei
nem me ouço
na invenção
de outros mundos

diz-me tempo que ilusão
ainda não criei
nem desfiz
de mais tempos
ou mais profundos

que é efémera a memória
de tempos ancestrais
e a vida não envelhece
mas sim seus sinais

a morte vai e volta
cega
pedra sobre pedra
cai
sobre as crenças dos vivos

2017-10-30

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Visão

quero-te menina dos meus olhos
lágrima limpa minha emoção
quero-te sentida toda minha pele
água no fogo de meu coração

quero simples teu sorriso simples
quero nem saber por que razão
quero apenas nada mais ter
que de ti minha ilusão

e se largo teu sorriso deixa
flores no ar agruras pelo chão
ai menina que meus olhos choram
mais não vêem que minha visão

2017-10-30

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Autocontrolo

passeio a minha impaciência à trela
para que não me veja incandescente

2017-10-30

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Extinção da espécie

olhem para mim: estou em perigo
conquistei o pleno
nada mais tenho para fazer

olhem para mim: estou em perigo
estou nas nuvens
e nada há para acontecer

olhem para mim: estou em perigo
não sei se perdido
de amores ou pura fantasia

olhem para mim: estou em perigo
o paraíso não tem inferno
humana sorte a de fugir da morte
e sempre toda a vida morrer

olhem para mim: estou em perigo
não cegueis da luz
que a estrela em noite escura
é mais clara de se ver

2017-09-30

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Fôlego do tempo

nos termos em que nos damos vida
num só fôlego do tempo
sem a solidez de um passado
nem do futuro discernimento
carregamos a lucidez do momento
na presença de um pavio

2017-09-30

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Eternidades

todos os dias são anos demais
luto apenas pelos que me são devidos
todos os dias

2017-09-30

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Poesia sem nome

eu sou antes do meu nome
inominável a gente
que ainda não sabe

a poesia é depois

a procura onde procuro chegar
hei de morrer
vivendo a tentativa

2017-08-31

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Falo de umbigos

perdoo em alguns egos a desmesura dos tamanhos
compreendo em outros a ânsia dos pedestais

só não desses os umbigos
nem os olhos que só vêem espelhos
umbigos
nem as falas que só falam de si
umbigos

falo dos falos que só falam cegos
na impertinência de mastros áridos
em campos sem semente nem lavra

umbigos
nada mais vêem
que a cova onde levitam

2017-08-31

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In declinação

o que vive
tem os seus clínios e declínios
vai de clive em clive
sem nunca se inclinar

2017-08-31

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Pura verdade

a verdade não se disputa
por ser de todos
nem porventura de ninguém

2017-08-31

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