Olha para ti

olha para ti
na jangada dos dias sem fôlego
vês a fuga dos crepúsculos
sem sombra de sonhos
e destino nenhum
e vais
indo vais

olha para ti
carregas todos teus mistérios
em alforges minúsculos
mister de uma vida algures
no deserto dos tempos
e vês
quando vês

olha para ti
não quebras na berma das brasas
a cada passo fortuito
e ouves o coração sem descanso
em que alma se busca
ouves
sim ouves

nadas tudo como sabes
e sobre a surdez do momento
já em silêncio dizes-me:
olha para ti
olha para ti

2016-08-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Poesia | Tags , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Altiva circunstância

aquieta o orgulho da tua espada
põe silêncio na tua majestade
ouve o silvo dos justos
murmurando os tempos
até à nudez dos espíritos


teu brilho esmaece
se manchas as mãos sem dor

o mate de todas as cores
magnânimas e lúcidas
que te sobrevivem
em branco cintilante

2016-08-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Poesia | Tags , , , , , , | Publicar um comentário

Viagens

embarco vontades despertas
nas margens dos meus cansaços

2016-08-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Aforismos, Microcontos, Poesia | Tags , , , | Publicar um comentário

Perfeição

a perfeição minha tentação
não mais é que mera tentativa
há nela o fim que sempre se anuncia
de uma ânsia sempre repetida

só de ti amor não faço questão
a que sujeito meu imperfeito coração
na inversa razão se perfeita mente
digo que amo tão somente
amo
e não mais perfeita seria a perfeição

2016-07-31

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Poesia | Tags , , , | Publicar um comentário

Desilusões

muitas desilusões na vida
não fazem da vida uma desilusão

2016-07-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Aforismos, Poesia | Tags , , , | Publicar um comentário

Dito esta fado

até calado
pode ser mal interpretado

2016-07-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Aforismos, Poesia | Tags , , , | Publicar um comentário

As guerras das tribos

colocamos ao peito toda a renúncia
sob a sombra de estandartes
erguemo-nos fantasmas
determinados
desembainhamos vaidades
dos ovos das trevas
rendidos em punhos de sangue
na cegueira das trincheiras

porquê a glória vã
por que se prendem razões
e pelejam os princípios
por que fins

por que não descarnamos os destinos
e auguramos a claridade
sobre o cansaço dos pendões
tombados

toda a palavra dúbia
todo o verso promíscuo
todo o poeta oblíquo
se submerge no plano turbo
do declínio dos tempos

aqui jaz o sangue e a dor
aqui as lágrimas
a água sem lume para respirar
vazios

na ténue linha onde nasce
a vida que é haver de morrer
não queiramos o descanso da paz
sob túmulos exaustos da luz
dêmos as asas às pedras
quando regressarmos sós
ao pó
da ilusão das estrelas

2016-06-29

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Poesia | Tags , , , , , , , | Publicar um comentário

Nu pé

em que pé vais
quando sapato rico
pedes calço?

2016-06-29

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Aforismos, Microcontos, Poesia | Tags , , | Publicar um comentário

Juízo a final

trago infernos que despontam
nos gumes de minhas lanças
a cada guerra de medos
em danças de fogo posto
em nome de tantos nomes
alheios ao nome que quis

há uma terra fumegante
que fenece sob os escombros de mim
uma refrega de nexos
bandeiras esfíngicas
que me extinguem à razão
de egos exaltados

ando sobre o esquecimento da água
em torrentes de trevas
de tempos sem tempo
para futuro nenhum

lavo minhas mãos erguidas
pela esperança no ar
meu sangue à deriva
quando tropeço no fundo

para que me apontas destino?
onde me chamas de luz?
nada que me digas eu sei
me faz reger o tempo
de querer em fé maior
calar bem alto a dor
sarar as feridas do vento

quero a pomba mais audaz
quero-a minha arma da paz

afinal o meu juízo é já
desde a pré-história do mundo

2016-05-30

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Poesia | Tags , , , , , , , | Publicar um comentário

Máscaras

todas as máscaras me são insuficientes
porque na essência nada mais serão

2016-05-29

Gostou? Partilhe!
  • Print
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Add to favorites
  • blogmarks
  • email
  • PDF
  • RSS
  • Tumblr
Publicado em Aforismos, Poesia | Tags | Publicar um comentário