Que faço eu

que faço eu destes dias áridos
sem folhas sem manifestos
e o vento esquecido do teu perfume

que faço eu do meu lume
nestas fogueiras empertigadas
na ausência dos espíritos claros

que faço eu das noites ardidas
manhãs das horas tardias
e o sol deserdado do teu rosto

que faço eu do que preciso
nestas querelas disformes
na espera por desígnios raros

que faço eu se me habitam
saudades do teu sorriso
incólume às tempestades

2017-06-30

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Iluminura

mergulha de sóis teus precipícios

2017-06-30

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Não tenho palavras

não tenho palavras definitivas sobre as tuas ditas
não as saberei para as tuas desditas
e são inúteis para teus pregões

são ingénuas minhas palavras
e a vida
não mais lhes reconhece que a tecitura breve
de orvalhos sobre folhas nuas

sou a palavra e ponto
de interrogação sem medos
as exclamações quando me surpreendem
são as flores no deserto que não adivinhei
nem supus

não tenho mais palavras senão amor
quantas recebi
dei-as como espelhos
ao mundo que as quis

2017-05-30

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E tua mão deserta

sou a onda medonha
a morte encarpelada

sou o rasto de tudo
sobre um fundo de nada

sou o grão que resvala
sob uma praia inundada

sou invisível à sorte
a cada porta entrada

sou a raíz partida
de viagem sem chegada

sou uma janela do sul
a leste de cada estrada

sou chão que não me esquece
algures sob uma fogueira

sou razão que me aborda
sem ter eira nem beira

sou a rota das sedas
nos sentidos dos dedos

sou apenas o pó
que de uma estrela resta

chove-me no coração
a tua mão deserta

2017-05-30

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Equidistâncias

céu meio seu meio meu
olho um mar aberto outro fechado

2017-05-30

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Palavras em silêncio

como podemos roubar as palavras ao mundo, meu amor
sem com elas aquecermos a noite, em silêncio

2017-05-30

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Estranho

o amor é um lugar estranho onde sempre nos encontramos

2017-04-30

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Para ti, liberdade

nasceste das entranhas dos sonhos
quando ainda nua a liberdade

há uma rocha de fé a que te prendes
definitiva se te agarra a ocasião
e fazes claque nas palmas que te batem
mesmo ao lado do teu coração

olha para a tua liberdade
sem saber de ti, ai liberdade

que mister de escolhas se viveres
outras ruas que não tua cidade
e seguires pela trama das lendas
teus passos
e os caminhos desertos
de resquícios de nenhuma verdade

ainda sentes e ainda que não as sintas
sofres dores por um bem maior
na apneia da tua liberdade

respira fundo
como pêndulo do mundo
ainda a tua liberdade

2017-04-25

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Mitos urbanos

não sei se sabes
é verdade
tudo o que sei
e de antemão sabia

tu também sabes
ainda que sabendo
sem mais nada haver
que pressuposto
tudo é absoluto e vago
pensamento sem pés
e cabeça convicta
não por se fazer caminho
mas por pelourinho
absorto
de cirandas e romarias

eu sei é verdade
imune ao tempo
a tua epifania
não a logro conhecer
sem a espessura do dia
não encontro aí segredo
nem nisso sabedoria

2017-04-24

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À vista do amor

à primeira vista
amor é cego
só no deslumbre se vê

à segunda
nem há cego que não dê
pelo amor
a perder de vista

à terceira
que seja
visto que é
amor de vez

2017-04-24

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