Falo de umbigos

perdoo em alguns egos a desmesura dos tamanhos
compreendo em outros a ânsia dos pedestais

só não desses os umbigos
nem os olhos que só vêem espelhos
umbigos
nem as falas que só falam de si
umbigos

falo dos falos que só falam cegos
na impertinência de mastros áridos
em campos sem semente nem lavra

umbigos
nada mais vêem
que a cova onde levitam

2017-08-31

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In declinação

o que vive
tem os seus clínios e declínios
vai de clive em clive
sem nunca se inclinar

2017-08-31

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Pura verdade

a verdade não se disputa
por ser de todos
nem porventura de ninguém

2017-08-31

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Vivos

não digo que sou solidário
as palavras não são solidárias
são vazias sem mim e sem ti

não digo
sou solidário e ponto. a vida
só a vida me agita
não sou solidário com minhas mortes
nem com vidas perdidas
guardo-as sem mais segredos
em cofres de despedidas

sou solidário porque amo
no amor vivo
mesmo quando queima
não há vidas ardidas

2017-07-31

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Nada é suficiente

nada mais se queira da vida do que vivê-la
isso é suficientemente inesgotável

2017-07-29

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Derivação

toda a deriva é inicial

2017-07-29

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Que faço eu

que faço eu destes dias áridos
sem folhas sem manifestos
e o vento esquecido do teu perfume

que faço eu do meu lume
nestas fogueiras empertigadas
na ausência dos espíritos claros

que faço eu das noites ardidas
manhãs das horas tardias
e o sol deserdado do teu rosto

que faço eu do que preciso
nestas querelas disformes
na espera por desígnios raros

que faço eu se me habitam
saudades do teu sorriso
incólume às tempestades

2017-06-30

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Iluminura

mergulha de sóis teus precipícios

2017-06-30

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Não tenho palavras

não tenho palavras definitivas sobre as tuas ditas
não as saberei para as tuas desditas
e são inúteis para teus pregões

são ingénuas minhas palavras
e a vida
não mais lhes reconhece que a tecitura breve
de orvalhos sobre folhas nuas

sou a palavra e ponto
de interrogação sem medos
as exclamações quando me surpreendem
são as flores no deserto que não adivinhei
nem supus

não tenho mais palavras senão amor
quantas recebi
dei-as como espelhos
ao mundo que as quis

2017-05-30

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E tua mão deserta

sou a onda medonha
a morte encarpelada

sou o rasto de tudo
sobre um fundo de nada

sou o grão que resvala
sob uma praia inundada

sou invisível à sorte
a cada porta entrada

sou a raíz partida
de viagem sem chegada

sou uma janela do sul
a leste de cada estrada

sou chão que não me esquece
algures sob uma fogueira

sou razão que me aborda
sem ter eira nem beira

sou a rota das sedas
nos sentidos dos dedos

sou apenas o pó
que de uma estrela resta

chove-me no coração
a tua mão deserta

2017-05-30

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