Oração

creio-te meu rumo livre
nos ditames dos destinos

as minhas sandálias são de terra, Senhor
verdes dos prados que caminho
me plantaste
mar de escolhas sem margem
numa só viagem
de pé

vê nas minhas mãos a oliveira
da semente que trago
e tudo o que me ensinaste
na paciência dos tempos
vê o sangue de Jesus e Maomé
de Gandhi de King
de tantos nomes
e tanto sem nomes
que m’es corre

perdoa o sangue em teu nome, Senhor
mas não o dês em vão
no horror da terra
de esperanças decepadas
nem o alentes na ilusão
dos totens
nas fogueiras de verdades

ouve meus hinos brancos
nos sinos dos tempos
dá-me os sinais
da voz de Suu Kyi e Tenzin Gyatso
Moisés Mandela Francisco
e tantos que nomes não dei
na débil pronúncia do meu

é por mim e por ti, todo o mundo
que oro sem dor
apesar da cegueira nos credos
à luz de meus passos nus
tolerante me confesso
até à intolerância dos medos

não logres a tormenta
de quem ama
mas a sua lucidez
e
dá-me a paz viva
dos sonhos sem sombra

2015-01-31

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