Gémeos

calcamos os mesmos trilhos
e saltamos as mesmas barreiras
sob as mesmas cores dos tempos
tu e eu todos nós
de sonhos insinuados
na contínua rotação dos dias

no mesmo espelho nos revemos
o mesmo sangue a mesma dor
as mesmas lágrimas nos correm
por dentro das mesmas faces
as mesmas alegrias nos fogem

senhores dos mesmos medos
lutamos pela mesma terra
sem lhe percebermos o chão
e partilhamos a ousadia
de um só mar inventado
sobre a curva da solidão

de quando em vez o mesmo fundo
sob a mesma pele um destino
o mesmo cúmplice desafio
olhos que se olham num só brilho
uma luz livre todo o mundo

do mesmo amor nascemos
tempo que único nos vivemos
gémeos
e morremos

num só útero do mundo

2013-09-29

Esta entrada foi publicada em Poesia com as tags , , , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *