Espelho

Em que face do espelho fica a memória do meu rosto?
De tantas facetas o vêem,
de que ângulo é a parede que o sustem?
Só eu lhe vejo a profunda idade
nas mãos cogitadas que lhe acariciam um adeus,
sob a ténue luz que lhe esmaece a fina prata,
num sorriso de lágrimas a esquecer a escuridão.
Não me torturam as fases que dele sucedam
nem as fases desta face vencidas
me enganam mais do que procuro
nas memórias pelo tempo engulidas.
Dói-me aqui não saber da eternidade
nem do sono refletido de minhas costas
e adormeço dia após dia sem de verdade
em mim espelhar todo o pó dos tempos.

Ergue-se um só rosto imaginado
na verdade das memórias do seu espelho.

2011-05-29

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