Platonismo

arranco à memória
em cada noite escura
os sinais que me levam
teus olhos verdes

meu coração levita
não é meu domínio
de tudo se lembra
de nada padece
eu dele sim
me vou em descuido
vivo meu pensamento
a vida me esquece

não nasci por arte
nem sei se o desejo
ou se é destino
que aqui e agora
apenas almejo
nem toquei os sonhos
nas pontas dos dedos
perdi o pé
mas caminho

2017-11-30

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