Pedra sobre pedra

medram esquecimentos
no sítio onde nasci
medram os silêncios
mas não eu aqui

a palavra esgotada
num último suspiro
escolhe esconder-se
em ignoto retiro

diz-me tempo porque vais
aonde não sei
nem me ouço
na invenção
de outros mundos

diz-me tempo que ilusão
ainda não criei
nem desfiz
de mais tempos
ou mais profundos

que é efémera a memória
de tempos ancestrais
e a vida não envelhece
mas sim seus sinais

a morte vai e volta
cega
pedra sobre pedra
cai
sobre as crenças dos vivos

2017-10-30

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