As guerras das tribos

colocamos ao peito toda a renúncia
sob a sombra de estandartes
erguemo-nos fantasmas
determinados
desembainhamos vaidades
dos ovos das trevas
rendidos em punhos de sangue
na cegueira das trincheiras

porquê a glória vã
por que se prendem razões
e pelejam os princípios
por que fins

por que não descarnamos os destinos
e auguramos a claridade
sobre o cansaço dos pendões
tombados

toda a palavra dúbia
todo o verso promíscuo
todo o poeta oblíquo
se submerge no plano turbo
do declínio dos tempos

aqui jaz o sangue e a dor
aqui as lágrimas
a água sem lume para respirar
vazios

na ténue linha onde nasce
a vida que é haver de morrer
não queiramos o descanso da paz
sob túmulos exaustos da luz
dêmos as asas às pedras
quando regressarmos sós
ao pó
da ilusão das estrelas

2016-06-29

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