A face do que me fazes

sou porque nasço
para o que faço
sou
a força do elo instável
na face dos medos
olhos à escuta
arrastando estrelas
quais pavios acesos
astros de papel presos
a um chão sem remos

faço no tempo um rasgo terno
pintado de fresco
em tardes de sol na mão
e moro-te
de madrigais
na penumbra das horas
acesas
ao lusco-fusco

és o princípio de mim
e meu fim
tudo o que espero
das manhãs repetidas
o coração do sorriso aberto
todos os sonhos
a que me prendo

fazes alarde do verso
arte da palavra viva
em espelhos de fundo incerto
a mar te regresso
em tecido de rios largos
fazes-me os laços
no que sou
me liberto

2016-03-30

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